quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Jornalista vive um ano seguindo preceitos bíblicos de forma literal

Embora judeu, A.J. Jacobs se considera agnóstico, ou seja, não segue realmente uma religião. Porém, durante um ano, seguiu todas as regras da Bíblia em busca de uma resposta para a pergunta: Deus existe?
Marcos Nunes Carreiro 

A Bíblia continua sendo o livro mais vendido do mundo e um dos mais antigos. Porém, poucos a leem e seguem seus ensinamentos ao pé da letra. Até porque muito do que a Bíblia instrui está dentro de um contexto específico, cultural, ou para determinado tempo, pessoa ou povo.
Como pontua o missionário cristão Pedro Paulo Coulibaly Brito, a Bíblia ensina princípios e valores que devem nortear a vida diante dos propósitos de Deus para seu povo, sendo assim, necessário buscar o entendimento desses propósitos. “Por exemplo, na época da inflação altíssima no Brasil, deveríamos estocar o máximo de alimentos possível porque poderia haver falta de algum produto depois ou o preço aumentar. Mas por que estocar alimentos hoje? Não faz sentido.”

Porém, algumas religiões, sobretudo as judaicas –– que não adotam o Novo Testamento ––, interpretam a Bíblia de modo literal e seguem ainda grande parte de seus ensinamentos. Mas, seguindo de modo literal ou não, geralmente quem lê a Bíblia acredita nela, logo, crê na existência de Deus, certo? Não exatamente. Um jornalista americano resolveu viver um ano sob todos os mandamentos bíblicos.

Arnold Stephen Jacobs, conhecido como A.J. Jacobs, escreve para a “Esquire”, revista voltada para o público masculino. Além disso, é escritor. Embora, seja judeu, Jacobs cresceu em uma família extremamente secularizada de Nova York. Logo, costumava pensar em seu judaísmo como não sendo uma grande coisa. Não frequentou nenhuma escola de hebraico nem comeu matzá –– pão sem fermento –– e o mais perto que sua família chegou perto do judaísmo foi colocar uma estrela de Davi no topo da árvore de Natal.

Durante longo tempo, Jacobs pensou na religião como algo arriscado para o mundo moderno, com um potencial de abuso por demais elevado. E acabou chegando à conclusão de que ela “desapareceria com o passar do tempo, do mesmo modo que outras coisas arcaicas também sumiram. A ciência estava a caminho”. Segundo ele, “algum dia iríamos todos viver num paraíso neoiluminista, onde todas as decisões seriam tomadas com base numa lógica cartesiana, à moda do sr. Spock, de Jornada nas estrelas”.

Porém, como se reconhecesse certa visão equivocada, Jacobs começou a querer explorar a religião, além de deixar algum ensinamento acerca do assunto para seu filho de 2 anos, Jasper. Mas não sabia como. Encontrou inspiração em seu ex-tio Gil, um homem nos padrões de poder ser chamado o mais religioso do mundo. Iniciou sua vida como judeu, se tornou hindu, se autodenominou guru –– época em que se sentou durante oito meses num banco de parque em Manhattan sem pronunciar uma única palavra, antes de se converter em cristão renascido.

Em algum momento dessa jornada espiritual, Gil decidiu interpretar a Bíblia ao pé da letra. De forma totalmente literal. “A Bíblia diz para se prender dinheiro à mão (Deutero­nô­mio 14: 25), por isso ele sacou 300 dólares do banco e amarrou as notas à palma de sua mão com uma linha”. Ações desse tipo. Por isso, Ja­cobs decidiu seguir o plano. Po­rém, de forma mais abrangente. Os motivos, segundo ele: escrever o livro; adquirir um “visto” para o mundo espiritual do qual se mantinha distante; preencher um vazio em seu coração.

A primeira providência foi achar Bíblias, além de materiais sobre o tema e lê-los todos. Depois, começar a seguir as leis impostas ao povo de Deus, independentemente das diferenças culturais e temporais entre os escritos e os dias atuais. O primeiro deles: deixar barba e cabelo crescerem, seguindo o mandamento bíblico de não tocar nos pelos. Ao fim do ano, a barba de Jacobs já estaria ultrapassando os 15 centímetros.

“Eis aqui o meu plano: na faculdade aprendi sobre a teoria da dissonância cognitiva. Ela diz, em parte, que se nos comportarmos de certa maneira, nossas crenças irão por fim se alterar a fim de se conformarem com o nosso comportamento. Portanto, é isso o que estou tentando fazer. Se agir como alguém que é fiel a Deus e O ama durante vários meses, então eu me tornarei fiel a Deus e O amarei. Se orar todos os dias, então talvez eu passe a crer no Ser a quem estou dirigindo minhas orações”.

Veja a cena: Jacobs, de pé em sua sala de estar com as mãos apontadas para cima como se fosse uma antena santa em busca de captar o sinal divino, recita “a seguinte passagem de Jó: ‘Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o Senhor o deu, e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!’. É uma linda passagem, entretanto sinto-me um tanto estranho ao pronunciá-la. É raro que eu diga a palavra senhor, a não ser quando seguido por dos anéis. Não costumo pronunciar a palavra Deus sem que venha precedida de ‘Ó meu!’”

E assim como essa, várias e engraçadas foram as histórias de Jacobs em busca de seu objetivo, o que resultou no livro: “Um ano bíblico”. Nesta matéria são narradas algumas dessas histórias.

O foco principal de Jacobs, até pelo fato de ser judeu, foi dado ao Antigo Testamento, onde também está a maior parte das leis concedidas ao povo hebreu. Na primeira semana, ele deu atenção aos seguintes versículos:
1° dia: “Tema a Deus e obedeça aos seus mandamentos, porque esse é o dever de todo homem” (Eclesiastes 12:13)
2° dia: “Crescei e multiplicai-vos” (Gênesis 1:28)
3° e 4° dias: “Não terás outros deu­ses diante de mim” (Êxodo 20:3)
5° dia: “Nem usarás roupa de dois estofos misturados” (Levítico 19:19)
6° dia: “Não cobiçarás” (Êxodo 20:17)
7° dia: “Por sete dias, vos alegrareis perante o Senhor, vosso Deus” (Levítico 23:40)

Como pode se ver, o livro é narrado em formato de Diário, o que dá um aspecto interessante à narração e concede ao leitor a oportunidade de saber exatamente quando os fatos ocorreram. Porém, também torna a leitura mais cansativa, principalmente quando se sabe quantos dias ainda faltam para acompanhar.

Grande parte das histórias envolve sua família e também caracteriza uma exposição de sua esposa Julie e seu filho Jasper. Por exemplo, ao leitor mais atento de posse das informações dadas por Jacob, é possível calcular exatamente quando sua esposa está em seu ciclo de menstruação. Além dos hábitos de seu filho. O ano bíblico de Jacobs ocorreu entre setembro de 2005 e setembro de 2006.
Situação espiritual 
Como já dito, um dos objetivos de Jacobs ao encarar tal experiência foi descobrir a existência da Deus. Assim, há também uma busca por certa mudança espiritual. Durante o andamento do livro, o escritor vai fazendo algumas pontuações acerca de sua situação espiritual, ao que ele chama “atualização”. Ele já começa seus relatos falando a respeito disso, como já vimos, mas separei os trechos que demonstram a evolução de seu estado de espírito ao longo do livro:

“30º dia. […] a palavra que me vem à mente é desconectado. Já estou desempenhando o papel de um Homem Bíblia há um mês, no entanto é exatamente assim que me sinto: desempenhando um papel. Um personagem. […] Este meu alter ego é um ser tão distinto que decidi passar a chamá-lo por um nome diferente. Jacó.”

“36º dia. Uma atualização espiritual: continuo sendo agnóstico. Sinto-me um pouco mais confortável pronunciando a palavra Deus –– graças à pura repetição, isso já me não faz mais suar. No entanto, a ansiedade foi substituída pela frustação. E, para ser franco, pelo enfado”.

“70º dia. Vários de maus amigos estão esperando que eu fale como uma versão ambulante da Bíblia King James. Eles querem que eu  –– ou ao menos o meu alter ego Jacó –– pronuncie palavras e expressões como ‘vós’, ‘Ai de vós’ e ‘Todo aquele que…’. […] Eu procuro participar do jogo da melhor forma possível. Entretanto, isso não é uma das maiores prioridades em minha lista.
[…] Não, falar de acordo com a Bíblia requer uma mudança muito mais radical do que elevar em algum grau o nível de meus discursos. Requer, antes, uma mudança completa do conteúdo de minhas conversas, tais como: não mentir, não reclamar e não fazer fofocas”.

“84° dia. Tenho procurado amar o meu próximo. Contudo, em Nova York, isso é particularmente difícil. Esta é uma cidade indiferente e reservada. Eu nem mesmo sei o nome de meus vizinhos, quanto mais amá-los”.

“169° dia. Dei um passo atrás, de novo, em termos espirituais. Minha fé anda frágil. Pequenas coisas me fizeram retornar a um agnosticismo puro. […] Se minha espiritualidade pudesse ser avaliada por números como os do índice Nasdaq, a tendência geral seria até aqui a de uma elevação gradual, contudo com muitas baixas e, neste instante, eu estou numa das grandes. Isso está me deixando preguiçoso. […] Continuo orando várias vezes ao dia, mas, quando oro, pronuncio as palavras com a mesma emoção de quando faço um pedido numa lanchonete. Sempre me vem à mente o versículo de Isaías em que ele bate contra os israelitas hipócritas”.

“238º dia. Uma atualização espiritual: estou enrolado. Minha fé em Deus muda a toda hora. Passo por três fases, distribuídas de forma equilibrada ao longo do dia. Enquanto digito estas palavras, estou na fase dois. No entanto, isso pode mudar quando eu estiver terminando o parágrafo seguinte. Primeiro, há a velha e confortável posição: o agnosticismo. Ainda não apaguei isso totalmente, e ele ressurge principalmente quando leio sobre extremismo religioso. A segunda fase tem tudo a ver com a recém-descoberta reverência pela vida. A vida não é apenas uma série de reações moleculares. Existe uma centelha divina dentro dela.

O termo oficial é ‘vitalismo’. Sempre pensei no vitalismo como uma relíquia do século XIX –– na mesma categoria em que se enquadram as sanguessugas e a frenologia. Mas agora sou crente. Pelo menos às vezes. A terceira fase, o nível mais elevado, é quando acredito em algo mais específico, num Deus que se importa, que presta atenção à minha vida, que ama. Por que não existiria um Deus? Faz tanto sentido existir um Deus quando não existir um. De outro modo, a própria existência seria fortuita demais”.

“324º dia. Não sei o que está acontecendo comigo. Meu amigo Paul me enviou um vídeo do YouTube por e-mail. Eu o abri. O vídeo exibia uma repórter de noticiário de TV lendo algumas notícias sobre o mercado acionário quando de repente uma enorme luminária despenca e a acerta na cabeça. Ela cai da cadeira e some de vista. Todos os comentários de pessoas que assistiram ao vídeo diziam que aquilo era engraçadíssimo. Mas eu não entendi a graça. Parecia algo muito triste. Passei vinte minutos no Google tentando descobrir o nome da pobre repórter para lhe enviar uma mensagem desejando que melhorasse logo ou que ganhasse a ação na justiça por uma indenização. Não consegui encontrá-la. O que está acontecendo comigo?”

“378º dia. Falta apenas um dia para terminar. […] A Bíblia me fez ser uma pessoa melhor? É difícil afirmar, mas eu espero que sim. Ao menos um pouco. […] Será que creio no Deus tradicional da Bíblia? Bem, não no mesmo sentido em que os antigos israelitas acreditavam. Eu jamais poderia chegar ao ponto de aceitar um Deus que arregaça suas mangas e interfere em nossas vidas como um romancista faz com suas personagens. Eu continuo sendo agnóstico. Mas agora sou um agnóstico reverente. O que não é uma contradição, juro a você. Agora acredito que, havendo ou não um Deus, existe o sagrado. A vida é sagrada. […] É possível que os próprios seres humanos tenham criado essa sacralidade, mas isso não diminui seu poder ou importância”.
“Não tocar mulheres nos dias de sua menstruação”
Representação da mulher com fluxo de sangue cuja história é narrada em Lucas 8
“Caso esteja se perguntando, Julie entrou no período de menstruação ontem –– o que são más notícias em dois sentidos. Primeiro, significa que nossos esforços de crescer e multiplicar falharam mais uma vez. Segundo, isso eleva a busca de se viver segundo a Bíblia a um novo e completo nível de embaraço.

A Bíblia hebraica desestimula os fiéis a tocar uma mulher durante uma semana após o início de sua menstruação. Até o momento neste meu ano, seguir esta regra foi apenas algo levemente desconfortável, nada pior do que isso. Na realidade, tem o seu lado bom: ela combina muito bem com o meu eterno transtorno obsessivo-compulsivo e com a minha germofobia, e por isso acabou se tornando uma brilhante e conveniente desculpa para que eu evitasse tocar em 51% da população humana.

Quando uma amiga minha se aproximar para me beijar no rosto, eu desvio minha cabeça do caminho como um boxeador numa luta. Uma colega tenta apertar minha mão para me cumprimentar e eu recuo por motivo de segurança.

–– Sinto muito, isso não é permitido.
–– Ah, sim. Está bem.
Em geral, para por aí. Em geral, mas não sempre. Veja só está conversa que tive com uma amiga australiana de Julie, Rachel, com quem nos encontramos no Central Park na semana passada.
–– Não tem permissão para isso? O que você quer dizer?
–– Bem, você pode estar… impura.
–– Que negócio é esse de ‘impura’?
–– Você sabe. No seu ciclo.
Fiz uma pausa. Ela me olhava perplexa. Decidi, então, que era uma boa hora para evitar o contato no olho e olhar para o chão.
–– Ah, você quer dizer que eu posso estar menstruada? Não se preocupe, eu fiquei menstruada semana passada.
Instante no qual ela me abraçou. Não tinha como fugir.

Estranhamente, Rachel não está sozinha nisso. Uma pequena parcela das amigas de Julie, que me deixaram surpreso com sua franqueza, deram-me informações detalhadas, voluntariamente, sobre seus ciclos biológicos. A editora de fotografia da Esquire chegou a ponto de me enviar um e-mail com seu cronograma. E ainda perguntou se eu também não o queria numa planilha de Excel.

Julie […], porém, não está se sentindo nem um pouco lisonjeada. Ela considera todo esse ritual uma ofensa. […] Eu também não estou gostando. […] É preciso estar sempre em alerta –– sem sexo, é claro, mas também sem dar as mãos, sem tocar nos ombros, sem bagunçar os cabelos, sem dar beijo de boa-noite. Quando lhe dou as chaves do apartamento, deixo-as cair em sua mão de uma altura segura de 15 cm.

[…] Quanto a não deitar numa cama impura, dessa estou livre. Julie e eu não compartilhamos a mesma cama. Aparentemente, quando durmo, fico me remexendo como um marlim depois de fisgado e lançado à praia. Por isso, Julie optou por duas camas de solteiro lado a lado."
Uma experiência completamente diferente: o Novo Testamento 

Uma das várias representações de Jesus, o Deus cristão no qual os judeus não acreditam
Jacobs seguiu seu planejamento e entrou na ambientação do Novo Testamento logo no início do mês de maio –– o nono mês. E começou com o primeiro versículo do livro de João: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. Na verdade, essa foi uma experiência completamente nova para Jacobs. Afinal, ele é judeu.

Eis o relato do início de sua aventura pelo Livro Cristão: “243º dia. Hoje é o primeiro dia de minha vida segundo o Novo Testamento. Estou tão nervoso quanto fiquei no início dessa experiência, mais nervoso até do que no próprio primeiro dia, mais ainda do que quando telefonei para o Guru Gil. Por um lado, mal posso esperar para mergulhar nisso de cabeça. Deverá ser um aprendizado intenso. Antes desse ano, eu sabia apenas o básico sobre o Novo Testamento e o cristianismo. […] No entanto, quero obter um conhecimento mais profundo, e isso será bom para mim. Além disso, parecer ser o momento adequado para isso. É difícil discutir com o fato de que hoje o Novo Testamento exerce mais influência nos Estados Unidos do que o Antigo. Ou, para ser mais preciso, a interpretação cristã literal da Bíblia exerce mais influência do que o método exegético judaico. Não engulo essa de que estamos à beira de uma teocracia, mas com certeza o cristianismo evangélico produz um impacto enorme em nossas vidas. Por outro lado, estou enlouquecido. Já me sentia oprimido pela complexidade de minha própria tradição e agora vou me aventurar em terreno ainda mais estranho. Contei a Julie que estava com dor de cabeça por causa do estresse.

–– Você não tem que fazer isso, sabia? –– disse ele.
–– Se não fizer, estarei contando só metade da história –– respondi.
–– Mas é uma metade bem importante.

“Verdade. Mas […] eu vou entrar na água e ver o que acontece. E antes de fazer isso preciso enfrentar uma série de questões importantes. A primeira dessas questões é a seguinte: se vou mudar o meu foco de atenção para o Novo Testamento, será que devo continuar seguindo todas as regras da Bíblia hebraica? Em outras palavras, devo manter a barba e as franjas? […] A maioria [dos cristãos] parece dizer: Você precisa aceitar Jesus, mas não precisa fazer a barba. O que é um alívio. Quero manter minha barba. Não estou preparado para abrir mão de meus rituais. Isso seria como se eu corresse apenas 30 km de uma maratona. Portanto, a não ser que exista alguma contradição nas leis –– por exemplo, a interpretação literal de olho por olho contradiz a interpretação literal de oferecer a outra face ––, eu seguirei tanto o Antigo quanto o Novo.

Minha próxima grande questão é esta: sendo um judeu, como lido com a questão da divindade de Cristo? Para ter um experiência literal legítima do Novo Testamento eu deveria aceitar Jesus como Senhor. Mas simplesmente não consigo. Li o Novo Testamento diversas vezes e embora eu pense em Jesus como um grande homem, não saí da experiência aceitando-o como o Salvador. Ainda não tive o meu momento ‘estrada para Damasco’”.

Jacobs não especifica a referência que faz no final, mas “estrada para Damasco” diz respeito à história de conversão do apóstolo Paulo. Antes, quando ainda era chamado Saulo, ele perseguia cristão, prendendo-os e matando-os. Contudo, a caminho da cidade síria de Damasco, Saulo vê uma imensa luz que o cega. Escuta a voz de Deus e acaba se convertendo e se tornando um dos principais nomes do Novo Testamento e, talvez, o maior apóstolo cristão.

A relação de Jacobs com essa parte da Bíblia é algo interessante e a partir da página 288 –– quando começa a narração dos fatos ocorridos no nono mês –– o livro acaba ficando mais leve, pois não há tanto rigor no cumprimento das regras. Isso acontece devido à concepção de que a morte de Jesus de certa forma anulou grande parte das outras regras seguidas ao pé da letra no Antigo Testamento, como o sacrifício de animais para remissão dos pecados.

E, como acontece por todo o livro, as maiores influências do aprendizado de Jacobs foram sentidas por sua família. Duas situações em particular marcam essa fase: a primeira em relação à sua esposa, Julie. Acontece que ele mantinha em seu palmtop um arquivo a respeito de todas as falhas dela para, em discussões futuras, poder relembrar e dizer como forma de argumento. Contudo, depois de ler 1 Coríntios 13, em que fala sobre o amor ser paciente, bondoso e de que não guarda rancor, Jacobs resolve contar a ela sobre o arquivo e depois destruí-lo.

“–– Você não está zangada?
–– Como poderia ficar zangada? –– responde ela. –– É de dar pena que você precise disso.
–– Bem, estou com dificuldade para me lembrar das coisas ultimamente.”

A outra fica por conta de Jasper. Ele é um garoto, pelo que se apresenta no livro, mimado. Certo dia, Jacobs vai pegá-lo no berço e acaba levando uma pancada no rosto dada pelo próprio filho. Ele, depois de relutar, dá a outra face, assim como Jesus. Mas depois o adverte a pedir desculpas. Algo novo para Jasper, que emburra e não obedece. A briga dos dois dura muito tempo, até que, vencido pelo cansaço, Jasper se desculpa. Uma vitória para Jacobs.
 
“Devo apedrejar os adúlteros”
“As escrituras hebraicas prescrevem uma quantidade imensa de penas capitais. Pensa na Arábia Saudita, multiplique pelo Texas e a seguir triplique. Não era apenas por assassinato. Você também poderia ser executado por adultério, por blasfêmia, por desrespeitar o sábado judaico, por perjúrio, por incesto, por bestialidade e feitiçaria, entre outros. Um filho rebelde poderia ser condenado à morte. Como também poderia um filho bêbado ou glutão recorrente.
O método de punição mais comum mencionado na Bíblia hebraica é o do apedrejamento. Portanto, concluo que no mínimo eu deveria tentar apedrejar alguém. Mas como?

Não poderia lhe dizer quantas pessoas já me sugeriram que eu usasse pedras de crack e deixasse adúlteros e blasfemadores drogados. O que não deixa de ser uma ideia interessante. No entanto, eu não uso drogas desde os tempos em que estudava na Brown University, quando escrevi um ensaio para minha aula de antropologia sobre o simbolismo oculto em se fumar maconha num bong, uma espécie de narguilé. (A Brown era um tipo de universidade onde um ensaio deste tipo conseguia de fato obter uma nota bem alta.)

Em vez de fazer isso, cheguei à conclusão de qual seria a minha saída: a Bíblia não especifica o tamanho das pedras, portanto eu usaria pedrinhas minúsculas.

Há alguns dias, recolhi um punhado de pedrinhas brancas do Central Park, que amontoei nos bolsos de trás das minhas calças. Agora, só me faltavam algumas vítimas. […] Estava descansando num parquinho público no Upper West Side, do tipo em que se encontra aposentados sentados nos bancos comendo sanduíches de atum.

–– Ei, você está vestido de um jeito esquisito.
Eu me volto para olhar. O interlocutor é um senhor na casa dos setenta, eu diria. Ele é alto e magro e está usando um daqueles quepes que motoristas de táxi costumavam usar nos filmes dos anos 1940.
–– Você está vestido muito estranho. Por que está vestido assim?
Eu estou usando minhas borlas recobertas de franjas e, já há um bom tempo, vestindo sandálias e carregando uma bengala feita de um galho de bordo cheio de nós que comprei por 25 dólares na internet.
–– Estou tentando viver segundo os mandamentos da Bíblia. Os Dez Mandamentos, apedrejar os adúlteros…
–– Você está apedrejando os adúlteros?
–– É, estou apedrejando os adúlteros.
–– Eu sou um adúltero.
–– Você é um adúltero atualmente?
–– Sou. Hoje à noite, amanhã, ontem, duas semanas atrás. Você vai me apedrejar?
–– Se for possível, sim, isso seria ótimo.
–– Eu lhe dou um soco na cara. Mando você para o cemitério.
Ele estava sério. Aquele não era um amável velhinho irritado. Era um velho totalmente irado. Era um homem com setenta anos de hostilidade sobre suas costas.
Eu retiro minhas pedrinhas do bolso traseiro.
–– Eu não iria apedrejá-lo com pedras grandes. Só com essas pequeninas.
Então, eu abro a palma da mão para lhe mostrar as pedrinhas. Ele dá um rápido bote, apanha uma e em seguida a atira contra o meu rosto. Ela passa zunindo.
Eu fico paralisado por alguns segundos. Não esperava que aquele senhor de cabelos brancos tomasse a dianteira. Agora, contudo, não havia mais nada que me impedisse de retaliar. Olho por olho!
Eu apanho uma das pedrinhas que restaram e a lanço contra seu peito, e ela ricocheteia.
–– Vou lhe dar um soco bem na boca –– diz ele.
–– Bem, você realmente não devia cometer adultério –– respondo.
Ficamos encarando um ao outro. Meu pulso disparou.
Nossa disputa de quem encarava mais durou uns dez segundos, e então ele vai embora esbarrando em mim ao passar."


"Vou construir uma cabana dentro de casa"

Cabana construída pelos hebreus no deserto. Baseado em uma assim, Jacobs tentou reproduzir a sua

“A Bíblia apresenta instruções específicas sobre como construir a Arca de Noé –– 300 por 50 por 30 cúbitos, com um teto e três andares de madeira de cipreste. Por sorte, eu estou isento de ambos esses projetos. […] Entretanto, a Bíblia me ordena que construa algo mais: uma cabana. Uma vez por ano, devemos edificar uma cabana e habitar nela durante uma semana, para relembrar as que foram construídas pelos antigos hebreus quando vagaram pelo deserto durante quarenta anos. […] Falando com franqueza, a ideia de construir uma grande estrutura tridimensional me deixa preocupado. Não sou um cara habilidoso. […] Procuro me consolar dizendo a mim mesmo que a cabana será uma excelente mudança de todos os mandamentos negativos, os ‘Não farás’. Aqui temos um claro ‘Farás’. Por isso, mergulho de cabeça no projeto e me vejo às voltas com a primeira questão: onde instalar minha cabana? A laje no topo do prédio parece ser uma opção lógica. Assim, telefono para o síndico do condomínio explico meu plano.

–– Não posso deixar que faça isso –– diz ele. –– É uma questão de responsabilidade civil.
–– E o que me diz do pátio?
–– O pátio só tem acesso por um apartamento.
–– Que apartamento?
–– Isso não vai dar certo. Você não pode construir uma cabana no pátio.

Portanto, prossigo com meu plano reserva: construir uma cabana em nossa sala de estar. Isso não é o ideal por duas razões. A primeira delas é ser uma cabana em nossa sala de estar. A segunda razão é que minha cabana –– chamada sukkah em hebraico –– não passaria na inspeção nem mesmo do rabino mais negligente e maria vai com as outras dos Estados Unidos. Os rabinos afirmam que as cabanas devem ser construídas ao ar livre e em conformidade com dezenas de outras regras.

–– Não seria mais fácil simplesmente usar a cabana do terraço do centro comunitário judaico? –– pergunta Julie.
–– Talvez –– respondo. –– Eu, no entanto, teria a sensação de estar trapaceando.

Explico a Julie que estou numa missão solitária para encontrar a essência da Bíblia. Sou um aventureiro solitário. Tenho que traçar o meu próprio caminho.

–– Muito bem, mas soa como se você estivesse gerando trabalho para si mesmo.

[…] Às 11h da manhã, começo a pregar as vigas mestras, segurando pregos na boca e suando muito mais. Três horas depois, graças à planta de um projeto que baixei da internet, feito para pessoas simplórias como eu, de fato tenho um esqueleto de uma legítima cabana. Que prontamente tomba como num filme de Buster Keaton e se desmonta ao bater contra a parede. Reinicio o processo de montagem, dessa vez acrescentando escoras extras, e por fim a estrutura permanece de pé.

— Ó, meu Deus! — exclama Julie ao chegar em casa.

Pergunto-lhe se aquilo a incomoda.

— Um pouco. Mas estou mais atônita ainda por você ter conseguido construir alguma coisa. Ela é enorme!
Julie inspeciona minha cabana. Ela possui quatro vigas de madeira recobertas por uma grande lona branca que está quase roçando em nosso teto. O interior é simples, porém decorado com ramos de árvores frondosas e de salgueiros. Julie se espreme entre a cabana e o aquecedor a fim de obter uma nova perspectiva. Ela avista os blocos de cinza e cimento e os examina para certificar-se de que não arranharam o piso.”


Fonte: Site do Jornal Opção

Raízes históricas da teologia da prosperidade





Alderi Souza de Matos


http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/313/raizes-historicas-da-teologia-da-prosperidadeO evangelicalismo brasileiro apresenta características apreciáveis e preocupantes. Entre estas últimas está o gosto por novidades. Líderes e fiéis sentem que, para manter o interesse pelas coisas de Deus, é preciso que de tempos em tempos surja um ensino novo, uma nova ênfase ou experiência. Geralmente tais inovações têm sua origem nos Estados Unidos. Assim como outros países, o Brasil é um importador e consumidor de bens materiais e culturais norte-americanos. Isso ocorre também na área religiosa. Um movimento de origem americana que tem tido enorme receptividade no meio evangélico brasileiro desde os anos 80 é a chamada teologia da prosperidade. Também é conhecida como “confissão positiva”, “palavra da fé”, “movimento da fé” e “evangelho da saúde e da prosperidade”. A história das origens desse ensino revela aspectos questionáveis que devem servir de alerta para os que estão fascinados com ele.

Ao contrário do que muitos imaginam, as idéias básicas da confissão positiva não surgiram no pentecostalismo, e sim em algumas seitas sincréticas da Nova Inglaterra, no início do século 20. Todavia, por causa de algumas afinidades com a cosmovisão pentecostal, como a crença em profecias, revelações e visões, foi em círculos pentecostais e carismáticos que a confissão positiva teve maior acolhida, tanto nos Estados Unidos como no Brasil. A história de seus dois grandes paladinos irá elucidar as raízes dessa teologia popular e mostrar por que ela é danosa para a integridade do evangelho.

Essek W. Kenyon, o pioneiro

Embora os adeptos da teologia da prosperidade considerem Kenneth Hagin o pai desse movimento, pesquisas cuidadosas feitas por vários estudiosos, como D. R. McConnell, demonstraram conclusivamente que o verdadeiro originador da confissão positiva foi Essek William Kenyon (1867-1948). Esse evangelista de origem metodista nasceu no condado de Saratoga, Estado de Nova York, e se converteu na adolescência. Em 1892 mudou-se para Boston, onde estudou no Emerson College, conhecido por ser um centro do chamado movimento “transcendental” ou “metafísico”, que deu origem a várias seitas de orientação duvidosa. Uma das influências recebidas e reconhecidas por Kenyon nessa época foi a de Mary Baker Eddy, fundadora da Ciência Cristã.

Kenyon iniciou o Instituto Bíblico Betel, que dirigiu até 1923. Transferiu-se então para a Califórnia, onde fez inúmeras campanhas evangelísticas. Pregou diversas vezes no célebre Templo Angelus, em Los Angeles, da evangelista Aimee Semple McPherson, fundadora da Igreja do Evangelho Quadrangular. Pastoreou igrejas batistas independentes em Pasadena e Seattle e foi um pioneiro do evangelismo pelo rádio, com sua “Igreja do Ar”. As transcrições gravadas de seus programas serviram de base para muitos de seus escritos. Cunhou muitas expressões populares do movimento da fé, como “O que eu confesso, eu possuo”. Antes de morrer, em 1948, encarregou a filha Ruth de dar continuidade ao seu ministério e publicar seus escritos.

Quais eram as crenças dos tais grupos metafísicos? Eles ensinavam que a verdadeira realidade está além do âmbito físico. A esfera do espírito não só é superior ao mundo físico, mas controla cada um dos seus aspectos. Mais ainda, a mente humana pode controlar a esfera espiritual. Portanto, o ser humano tem a capacidade inata de controlar o mundo material por meio de sua influência sobre o espiritual, principalmente no que diz respeito à cura de enfermidades. Kenyon acreditava que essas idéias não somente eram compatíveis com o cristianismo, mas podiam aperfeiçoar a espiritualidade cristã tradicional. Mediante o uso correto da mente, o crente poderia reivindicar os plenos benefícios da salvação.

Kenneth Hagin, o divulgador

O grande divulgador dos ensinos de Kenyon, a ponto de ser considerado o pai do movimento da fé, foi Kenneth Erwin Hagin (1917-2003). Ele nasceu em McKinney, Texas, com um sério problema cardíaco. Teve uma infância difícil, principalmente depois dos 6 anos, quando o pai abandonou a família. Pouco antes de completar 16 anos sua saúde piorou e ele ficou confinado a uma cama. Teve então algumas experiências marcantes. Após três visitas ao inferno e ao céu, converteu-se a Cristo. Refletindo sobre Marcos 11.23-24, chegou à conclusão de que era necessário crer, declarar verbalmente a fé e agir como se já tivesse recebido a bênção (“creia no seu coração, decrete com a boca e será seu”). Pouco depois, obteve a cura de sua enfermidade.

Em 1934 Hagin começou seu ministério como pregador batista e três anos depois se associou aos pentecostais. Recebeu o batismo com o Espírito Santo e falou em línguas. No mesmo ano foi licenciado como pastor das Assembléias de Deus e pastoreou várias igrejas no Texas. Em 1949 começou a envolver-se com pregadores independentes de cura divina e em 1962 fundou seu próprio ministério. Finalmente, em 1966 fez da cidade de Tulsa, em Oklahoma, a sede de suas atividades. Ao longo dos anos, o Seminário Radiofônico da Fé, a Escola Bíblica por Correspondência Rhema, o Centro de Treinamento Bíblico Rhema e a revista “Word of Faith” (Palavra da Fé) alcançaram um imenso número de pessoas. Outros recursos utilizados foram fitas cassete e mais de cem livros e panfletos.

Hagin dizia ter recebido a unção divina para ser mestre e profeta. Em seu fascínio pelo sobrenatural, alegou ter tido oito visões de Jesus Cristo nos anos 50, bem como diversas outras experiências fora do corpo. Segundo ele, seus ensinos lhe foram transmitidos diretamente pelo próprio Deus mediante revelações especiais. Todavia, ficou comprovado posteriormente que ele se inspirou grandemente em Kenyon, a ponto de copiar, quase palavra por palavra, livros inteiros desse antecessor. Em uma tese de mestrado na Universidade Oral Roberts, D. R. McConnell demonstrou que muito do que Hagin afirmou ter recebido de Deus não passava de plágio dos escritos de Kenyon. A explicação bastante suspeita dada por Hagin é que o Espírito Santo havia revelado as mesmas coisas aos dois.

Reflexos no Brasil

Os ensinos de Hagin influenciaram um grande número de pregadores norte-americanos, a começar de Kenneth Copeland, seu herdeiro presuntivo. Outros seguidores seus foram Benny Hinn, Frederick Price, John Avanzini, Robert Tilton, Marilyn Hickey, Charles Capps, Hobart Freeman, Jerry Savelle e Paul (David) Yonggi Cho, entre outros. Em 1979, Doyle Harrison, genro de Hagin, fundou a Convenção Internacional de Igrejas e Ministros da Fé, uma virtual denominação. Nos anos 80, os ensinos da confissão positiva e do evangelho da prosperidade chegaram ao Brasil. Um dos primeiros a difundi-lo foi Rex Humbard. Marilyn Hickey, John Avanzini e Benny Hinn participaram de conferências promovidas pela Associação de Homens de Negócios do Evangelho Pleno (Adhonep). Outros visitantes foram Robert Tilton e Dave Robertson.

Entre as primeiras manifestações do movimento estavam a Igreja do Verbo da Vida e o Seminário Verbo da Vida (Guarulhos), a Comunidade Rema (Morro Grande) e a Igreja Verbo Vivo (Belo Horizonte). Alguns líderes que abraçaram essa teologia foram Jorge Tadeu, das Igrejas Maná (Portugal); Cássio Colombo (“tio Cássio”), do Ministério Cristo Salva, em São Paulo; o “apóstolo” Miguel Ângelo da Silva Ferreira, da Igreja Evangélica Cristo Vive, no Rio de Janeiro, e R. R. Soares, responsável pela publicação da maior parte dos livros de Hagin no Brasil. Talvez a figura mais destacada dos primeiros tempos tenha sido a pastora Valnice Milhomens, líder do Ministério Palavra da Fé, que conheceu os ensinos da confissão positiva na África do Sul. As igrejas brasileiras sofreram o impacto de uma avalanche de livros, fitas e apostilas sobre confissão positiva. Ricardo Gondim observou em 1993: “Com livros extremamente simples, [Hagin] conseguiu influenciar os rumos da igreja no Brasil mais do que qualquer outro líder religioso nos últimos tempos”.

Conclusão

Além de apresentar ensinos questionáveis sobre a fé, a oração e as prioridades da vida cristã, e de relativizar a importância das Escrituras por meio de novas revelações, a teologia da prosperidade, através dos escritos de seus expoentes, apresenta outras ênfases preocupantes no seu entendimento de Deus, de Jesus Cristo, do ser humano e da salvação. A partir dos anos 80, várias denominações pentecostais norte-americanas se posicionaram oficialmente contra os excessos desse movimento (Assembléias de Deus, Evangelho Quadrangular e Igreja de Deus). Autores como Charles Farah, Gordon Fee, D. R. McConnell e Hank Hanegraaff, todos simpatizantes do movimento carismático, escreveram obras contestando a confissão positiva e suas implicações. Eles destacaram como, embora essa teologia pareça uma maneira empolgante de encarar a Bíblia, ela se distancia em pontos cruciais da fé cristã histórica.

No Brasil, três obras significativas publicadas em 1993 -- “O Evangelho da Prosperidade”, de Alan B. Pieratt; “O Evangelho da Nova Era”, de Ricardo Gondim; e “Supercrentes”, de Paulo Romeiro -- alertaram solenemente as igrejas evangélicas para esses perigos. Tristemente, vários grupos, principalmente os que têm maior visibilidade na mídia, estão cada vez mais comprometidos com essa teologia desconhecida da maior parte da história da igreja. Ao defenderem e legitimarem os valores da sociedade secular (riqueza, poder e sucesso), e ao oferecerem às pessoas o que elas ambicionam, e não o que realmente necessitam aos olhos de Deus, tais igrejas crescem de maneira impressionante, mas perdem grande oportunidade de produzir um impacto salutar e transformador na sociedade brasileira.


Alderi Souza de Matos é doutor em história da igreja pela Universidade de Boston e historiador oficial da Igreja Presbiteriana do Brasil. É autor de A Caminhada Cristã na História e "Os Pioneiros Presbiterianos do Brasil".


Fonte: Genizah

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domingo, 15 de dezembro de 2013

APÓSTOLA JOSELITA foi arrebatada por Deus durante quarenta dias e quarenta noites




A macumba "pentecostal" segue forte. Já não há mais distinção entre o reteté e a bruxaria.




A seguir, parte do texto de apresentação da bruxa gospel:

APÓSTOLA JOSELITA foi arrebatada por Deus durante quarenta dias e quarenta noites, o Senhor a transportou ao mais profundo do céu e do inferno para que na terra falasse aos homens. Dada como morta durante dois dias, Deus pode mostrar o mais profundo do "mundo" espiritual. Usada em revelação, profecia, e maca celestial.
Muitas pessoas já foram abençoadas pelo Senhor através dessa mulher, casamentos foram restituídos, famílias restauradas, empregos concebidos e muitos milagres,prodígios e maravilhas, para glória do nome de Jesus.



Fonte: Genizah

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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Ciência prevê data para fim da vida na Terra

A vida na Terra já tem data para terminar: 1,15 bilhão de anos. E o fim será infernal, segundo um estudo recém-divulgado.

Sabe-se já que o Sol paulatinamente aumenta a quantidade de radiação que emite para a Terra, ao longo de bilhões de anos. No princípio do Sistema Solar, 4,7 bilhões de anos atrás, o brilho solar era 15% menos intenso do que hoje.

A grande questão é saber quando essa escalada de radiação será forte o suficiente para levar a um efeito estufa descontrolado. É onde entra o trabalho de Jérémy Leconte, do Instituto Pierre Simon Laplace, em Paris, e seus colegas, publicado na edição de hoje da revista “Nature”.

O grupo produziu um modelo climático global em 3D que mostra quanta energia solar é necessária para fazer os oceanos evaporarem por completo. Na simulação, isso acontece em 1,15 bilhão de anos, quando toda a água, agora na forma de gás, se acumula na atmosfera. O efeito estufa produzido é tão poderoso que a temperatura global no planeta chegará a 1.600 graus Celsius.

terra-aquecida

Por incrível que pareça, essa é uma boa notícia. Todos os modelos anteriores, simulações em uma única dimensão, sugeriam que o efeito estufa descontrolado aconteceria um pouquinho antes disso.

VELHA HISTÓRIA

De toda forma, sabemos que esse pode muito bem ser o desfecho de um planeta, pois foi exatamente o que aconteceu com Vênus, nosso vizinho mais próximo, que tem praticamente o mesmo tamanho da Terra. Lá, o efeito estufa descontrolado produz temperaturas de 480 graus. E quase não há vapor d’água na atmosfera, um gás-estufa muito mais poderoso que o dióxido de carbono, predominante na atmosfera venusiana.

Os cientistas calculam que o processo esterilizante já teria acontecido se nosso planeta estivesse apenas 5% mais próximo do Sol do que está hoje. No momento, estamos escapando por pouco.
E a história ainda piora se você for uma criatura pluricelular e complexa. Porque em “míseros” 850 milhões de anos, o lugar mais ameno do mundo, o polo Sul, vai experimentar temperaturas na casa dos 50 graus. No Patropi, pode esperar um sol de rachar, com máximas de 80 graus! Para muitas espécies de bactérias não tem galho, mas para a maioria dos animais o jogo da vida já estará terminado.

É um trabalho importante por duas razões. Primeiro, porque mostra as limitações de habitabilidade para mundos similares à Terra, dentro e fora do Sistema Solar. Os pesquisadores fizeram alguns cálculos sobre Vênus, por exemplo, e descobriram que, fosse ele exatamente como nosso planeta, teria sofrido efeito estufa descontrolado desde praticamente o nascimento. Contudo, o fato de ele ter uma rotação muito lenta (leva 243 dias terrestres para passar um dia venusiano) e a possibilidade de ter começado com bem menos água com a Terra sugere que pode ter havido uma época no passado venusiano com temperatura bem mais amena — talvez afável o suficiente para o surgimento da vida.


Terra e Vênus: praticamente gêmeos separados ao nascimento
Terra e Vênus: praticamente gêmeos separados ao nascimento


O principal resultado, contudo, é nos lembrar de que nosso planeta também tem prazo de validade. Mas isso não quer dizer que a vida terrestre — ou a humanidade — tenha de terminar. Como dizia o pioneiro russo Konstantin Tsiolkovsky, “a Terra é o berço da humanidade, mas não se pode viver no berço para sempre”.




FONTE: blogfolha.uol.com - POR SALVADOR NOGUEIRA




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