quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Chesterton é pop: Do agnosticismo ao cristianismo



Pensador que incentivou a Doutrina Social da Igreja vira ícone entre os jovens católicos e protestantes brasileiros que redescobrem a obra do grande intelectual cristão


Redação
Genizah

Para promover o intelectual cristão G. K. Chesterton (1874-1936), autor de oitenta obras, a Sociedade Chesterton Brasil (www.chestertonbrasil.org) empregou um método criativo: inspirados na cultura pop, estão comercializando camisetas com a imagem do pensador inglês produzidas ao estilo daquelas feitas com a célebre imagem do guerrilheiro e revolucionário Che Guevara. (uma cópia da camiseta foi idealizada pela American Chesterton Society). "O pouco conhecimento que temos deste autor tão importante provavelmente se dá pelas poucas traduções de suas obras para o português. Pensamos em torná-lo mais acessível usando as camisetas", conta o jovem bibliotecário, Diego da Silva, editor do site www.chestertonbrasil.org





Gilbert Keith Chesterton foi um agnóstico convertido ao cristianismo (catolicismo) e que deixou um legado que vem sendo recentemente descoberto por jovens cristãos no mundo inteiro, inclusive no Brasil.

Distributismo

Chesterton foi um intelectual trafegando em um amplo espectro do saber humano. Literatura ficcional, teatro, teologia, filosofia, sociologia, história e economia. Juntamente com Hilaire Belloc, são os grandes expoentes da teoria econômica inspirada na Doutrina Social da Igreja - o Distributismo.

Distributismo, também conhecido como distribucionismo ou distributivismo é uma filosofia económica defendendo que a posse dos meios de produção deveria ser estar o mais amplamente distribuída entre todos os homens, ao contrário de estar centralizada no Estado (como no comunismo / capitalismo de Estado) ou concentrada em uma minoria de indivíduos (capitalismo liberal). 


Distributismo, assim como a social democracia, é considerado uma terceira via da ordem económica, para além do capitalismo e socialismo. Nesse sistema, a maior parte das pessoas deveria conseguir sobreviver sem ter que contar com o uso da propriedades de outrem para fazê-lo. Alguns exemplos seriam agricultores que são donos de suas terras, mecánicos que possuem suas próprias ferramentas e equipamentos, desenvolvedores de software de posse de seus computadores e sistemas operacionais livres de copyrights , etc. Estas idéias se baseiam nos ensinamentos do Papa dos séculos XIX e XX, começando com o Rerum Novarum do Papa Leão XIII. Chesterton resumiu o sistema em uma frase famosa: "O problema do capitalismo é que não há capitalistas suficientes."

Para Davi Dias: "Toda a vida de Gilbert Keith Chesterton, um dos maiores e mais lidos apologistas cristãos do século XX, pode ser compreendida como a viagem de um homem que sai de um e volta ao mesmo lugar. Como o personagem do conto por ele redigido, Homesick at home, que percorre todo o mundo tentando voltar para casa, ponto de partida da viagem, foi preciso que Chesterton vivesse longos anos de inquietações espirituais para finalmente encontrar a verdade." Cherterton encontra  no cristianismo as respostas para os dilemas e paradoxos da vida.

Chesterton não é popular somente entre os católicos. Os protestantes também são grandes admiradores deste gênio. "Ortodoxia", seu livro mais famoso, ganhou nova edição comemorativa em 2009 pela Mundo Cristão. Trata-se de um clássico da defesa da fé cristã.

Ortodoxia

Ortodoxia é o resumo da filosofia de Chesterton e sua obra prima. Inicialmente, o livro seria uma continuação de sua obra anterior,  Heretics, onde Cherterton pretendia dar uma resposta a um ensaio de Blatchford, um crítico e desafeto, e que terminou evoluindo para uma espécie de autobiografia espiritual retratando os questionamentos fundamentais da fé cristã e da existência humana - o percurso do próprio Chesterton do agnosticismo ao cristianismo. O próprio apresenta assim a sua obra: Tentei criar uma nova heresia; mas, quando já lhe aplicava os últimos remates, descobri que era apenas a ortodoxia."

“Eu recomendo fortemente. Ortodoxia é um dos livros mais inteligentes que tive o prazer de ler. Leitura fundamental para qualquer cristão com pretenções intelectuais. De fato, não conheço outra mente à altura de Chesterton nos últimos cinco séculos. Chesterton é o pé na porta de Nietzsche, do racionalismo e do cientificismo reducionista e determinista. Ele foi um farol intelectual na sombra da virada do século IXX para o XX que queria obscurecer a cosmovisão cristã. ”, opina Danilo Fernandes editor do site Genizah.


Chesterton x Blachford: A irracionalidade do racionalismo 

No vídeo a seguir, os criadores produziram em animação um fantástico debate Chesterton versus Blatchford sobre a irracionalidade do racionalismo. Este debate nunca ocorreu desta forma, frente-a-frente, no melhor estilo tribunal,mas travado através de artigos em jornais e revistas onde o valoroso G.K. combateu os detratores da fé cristã.







O vídeo é ótimo, pois dá linearidade e súmula ao debate que os dois autores travaram em livros, jornais e revistas, bem como, oferece um bom resumo do campo da apologética cristã em suas questões mais fundamentais e para além das múltiplas confissões de fé cristã. 



 O Padre Brown

Chesterton foi um gênio da literatura e a sua vasta obra também inclui a fantástica série, pouco conhecida no Brasil, das aventuras do impagável Father Brown (Padre Browm), um personagem sempre envolvido em estórias de mistério / suspense.

Brown é um padre dotado de impressionante sagacidade e profundo conhecimento da alma humana pecadora. G.K. Chesterton publicou 52 contos em jornais ingleses e que depois foram reunidos em cinco livros. Os contos lembram o estilo “Sherlock Holmes”, só que muito melhores, ao menos para os interessados em teologia, filosofia e no conhecimento da natureza humana. 


A narrativa é inteligentíssima. Já os métodos do Padre Brown para desvendar os crimes em suas estórias se diferenciam do famoso detetive Sherlock Holmes ao tenderem mais para p intuitivo do que para o dedutivo. No livro 'O Segredo do Padre Brown ", o próprio padre explica o seu método:

"Veja você, meu camarada, eu assassinei a todos, eu mesmo [...] Planejei cada um dos crimes com muito cuidado. E pensei como cada coisa poderia ser feita, e no estado de espírito que um homem deveria estar para, efetivamente, ser capaz de cometer tais atos. E quando eu tive a certeza de que me sentia exatamente como o assassino, é claro que eu sabia quem ele era."

O personagem embora ficcional, tem muitos traços baseados no padre que evangelizou (*1) Chesterton - John O'Connor (1870–1952) - e, como as habilidades investigativas do Padre Brown estão muito ligadas à sua experiência como religioso e confessor as narrativas se tornam ainda mais interessantes aos cristãos e interessados em religião. 

“Isto sem contar próprio aspecto inusitado de um personagem envolvido em contos policiais que se apresenta como um exemplo de clérigo cristão: absolutamente humilde, educado, piedoso, alegre, generoso, bom, manso, temperante e firme”. Provavelmente, um reflexo do pensamento neo-escolástico de Chesterton .”Por fim, a cosmovisão cristã de Brown ao vislumbrar os crimes que desvenda são o melhor de tudo.”, completa Fernandes.

OS livros da série Father Brow são facilmente encontrados em inglês. Alguns foram publicados em português no passado, mas estão em geral esgotados. Acha-se em sebos e em sites de leilão na internet. 

Quem se interessar em conhecer mais sobre G.K. Cherterton também pode seguir o seu perfil “tributo” em português no twitter: https://twitter.com/Chesterton_GK Recomendadíssimo! G.K. foi um frasista genial e o perfil publica citações em português.





(*1) Nascido de família anglicana, mais tarde converteu-se ao catolicismo em 1922 também por  influência do escritor católico Hilaire Belloc, com quem desde 1900 manteve uma amizade muito próxima.


Fonte: Genizah

Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/2013/02/chesterton-e-pop-do-agnosticismo-ao.html#ixzz2tpK7TPgr
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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Do ORKUT ao FACEBOOK

Dom Lourenço Fleichman


Há alguns anos, após tecer algumas considerações sobre o fenômeno do Orkut, primeira "rede social" a se espalhar de modo universal, atingindo particularmente o Brasil, lancei uma campanha aconselhando ao leitor apagar sua conta naquele sistema de escravidão. Os e-mails recebidos na época indicaram cerca de 150 pessoas que tomaram a iniciativa de apagar sua conta e de escrever à Permanência comunicando este fato.

Analisando este número de corajosos leitores, considerei um resultado muito bom, diante dos meios de que dispomos e, sobretudo, diante dos motivos espirituais e civilizacionais oferecidos como incentivo para se tomar decisão aparentemente tão sofrida e difícil.

O diabo não dá ponto sem nó, como se diz, e logo surgiu fenômeno mais amplo e pernicioso do que o primeiro. Contam que o Facebook começou como um sistema de reconhecimento dos rostos dos alunos em certa universidade. Basta conhecer um pouco a natureza humana para compreender porque milhões de pessoas pelo mundo foram contaminados com a Síndrome da Bruxa Má, da Branca de Neve! "Espelho, espelho meu". O engenhoso "crachá" eletrônico é como a "imagem da besta", que aparece no Apocalipse. O joguete do dragão adquiriu tanto movimento que ele fala, escreve, e vai variando sua bela imagem, cativando a todos e gozando dessa imensa felicidade: "digam-me se há mais bela do que eu" Continue Lendo

Há pouco tempo eu recebi um e-mail de um leitor que dizia:

"Na prática, é uma imensa fogueira de vaidades. Você posta uma opinião qualquer, aguarda ansiosamente pelos elogios e se inflama constantemente com as críticas. Cada vez que alguém aperta num botãozinho "curtir" se sente um verdadeiro deleite no Amor Próprio. Cada vez que alguém lhe critica, o Amor Próprio chora como se a mulher amada o tivesse rejeitado".

Alguns dias antes eu já tinha recebido, de outra pessoa, pensamentos semelhantes:

"Confesso que fiz muitos amigos. Mas, se por um lado me serviu de benfeitor, por outro me acorrentou em muitos pecados contra o próximo. Quantas injúrias, quantas maledicências, quantas pragas roguei contra os que eu chamava de inimigos. Tudo por motivos fúteis. E, pior, com um orgulho tão vigoroso quanto detestável. Quantos inimigos tenho hoje, sem sequer conhecê-los pessoalmente. Uma vergonha. Um ultraje ao meu batismo".

Essas duas citações tocam nesse aspecto natural decadente dos freqüentadores do Facebook. A mesma fábrica de vaidades que assinalei nos artigos contra o Orkut foram levadas ao extremo, em crescimento exponencial, gerando uma vida falsa, duplamente falsa. Muitos daqueles que se reviram no lixo e na imundície de tantos pecados, como o leitor corajosamente denunciou de si mesmo, garantem de pés juntos, que não eram eles que escreviam e se comunicavam ali. O Orkut inventou a ideia de se forjar um "avatar", personagem fictício, que assumia sua personalidade, num mundo livre de moral, de religião, de família e de verdade. O Facebook aperfeiçoou o mal, e convenceu seus seguidores de que no Reino do Além do Espelho Meu, podem ser livres de tudo e de todos, e nem mesmo Deus os estaria vigiando com sua Onipresença.

Como sacerdote tive a oportunidade de separar graves situações criadas nesse mundo paralelo, onde todos se dizem amigos, onde todos fingem se amar, e onde, na realidade, amam a si próprios. O Facebook é um aprendizado do Inferno.

A primeira lição dessa "escola" é a perda de toda concentração na vida das obrigações e das virtudes. A febre toma conta da pessoa e ela não consegue mais resistir à tentação de dar um pulinho no outro mundo, deixando de lado suas obrigações. Se está no computador do trabalho, passa o tempo ligado nas mensagens que vão chegando o dia todo, as quais são rapidamente respondidas, os links visitados, e o tempo devido ao trabalho remunerado pelo patrão, passa dedicado a esta vida paralela. Se a pessoa é jovem e está na escola, é pelo celular que a praga funciona. Senão durante as aulas, ao menos nos intervalos ou imediatamente ao sair da escola (nos raros casos em que a escola proíbe o celular). A boa educação já desapareceu, e esses jovens vivem de cabeça baixa olhando uma telinha, sem o mínimo respeito pelas pessoas em sua volta. Em nome da mais alta comunicação com o Reino do Espelho Meu, cortam o mínimo olhar e interesse por seus familiares e amigos do mundo real.

Não conheço nenhum usuário dessa droga que tenha vida de oração. Nunca vejo essa gente com um livro na mão, nunca ouço conversas deles que não sejam banalidades da internet. Parecem saber de tudo, conhecem a vida de todos, mergulhados que estão na curiosidade desse ócio pecaminoso, que eles se desculpam tranqüilamente. Os pecados do outro mundo não valem para o mundo de cá, de modo que todos continuam comungando sem medo do castigo de Deus. Ouçamos novamente um dos nossos leitores:

"É como achar que se pode ir constantemente numa casa de tolerância e sair de lá santo. Eu mesmo sabia e, mesmo assim me peguei inúmeras vezes pensando mal daquele comunista que me fez uma provocação ou em como poderia ofender aquele outro defensor do aborto. Com o tempo, a sensação é de que o orgulho vai se inflando no mesmo passo que a alma seca. Tenho um medo sincero de haver pecado."

Essa declaração vai no mesmo sentido deste outro desabafo:

"Os bate-papos do Facebook são um desafio terrível, que pode me custar caro. Ainda não estou preparado para lidar com os homens. Preciso me retirar desse mundo virtual, o quanto possível. Preciso aprender ainda muito a viver como um bom cristão, a agir em conformidade com o meu batismo. E nada disso posso fazer se continuo me submetendo a todo esse esgoto virtual."

Em outro lugar lemos o seguinte:

"As imagens e recados bonitinhos dos tradicionalistas que tenho como amigos só diferem em conteúdo dos esquerdistas mais empedernidos. Ao invés de fotos de manifestantes e intelectuais da esquerda chique com seus comentários absurdos, são imagens de S. Pio X com frases de efeitos sobre a Missa. Na forma, são iguais. Na intenção e no sentimento também. Todo mundo só quer uma curtida, um compartilhamento. Um afago no Amor Próprio. Todo mundo se ofende enormemente quando provocado. Todo mundo acha que está com a Razão. No final, só o Diabo que ri."

Além dessa questão da troca de mensagens, da conexão em tempo real da sua vida, vulgarmente "compartilhada" com um mundo de gente, muitas delas desconhecidas, invadiu a cabeça das pessoas a troca de fotos de si próprio. E como a vida moral não faz parte da vida bruxa da imagem da besta, as pessoas vão postando fotos as mais à vontade, sem nenhuma preocupação com um mínimo de compostura, de pudor, ou de modéstia. Essa questão, na verdade, não entra muito na minha cabeça: como as pessoas perderam a noção básica do feio, do esculachado, da vergonha. Estão tão mergulhados nos critérios do Espelho Meu, que não percebem que na vida real, onde pecado é ofensa e Inferno queima, nossos atos têm conseqüências morais, e deverão ser pagos com os critérios da natureza e com a Santa Lei de Deus. A multiplicação de suas fotos, mostrando mil Facetas da sua cara linda é outro indício da finalidade insana desse maldito Book.

Outro dia um conhecido meu resolveu contar o tempo que levava no Facebook, esforçando-se para manter o mesmo ritmo de sempre. Eis a conclusão:

"Calculei, por baixo, que a overdose dessa semana deve ter custado umas 8h da minha vida, "estrategicamente" divididas em acessos aparentemente curtos que, se somados, configuram um turno inteiro de trabalho. E não creio que tenha mexido particularmente mais que a média das pessoas que conheço."

Não deixa de ter certa graça o modo como ele encerrou a auto-pesquisa que se impôs:

"De repente, dei por mim da armadilha, e selecionei a opção de excluir permanentemente. Segui todas as instruções e ainda me deparei com uma mensagem que dizia que minha conta seria eliminada em 14 dias, durante os quais teria toda a possibilidade de voltar atrás nesse ato tão impensado e perigoso. 14 dias com o Amor Próprio agonizando. Nem para encerrar conta de banco precisa de tanto."

Tenho para mim que o pecado no qual os católicos estão incorrendo não é o fato de terem uma conta no Facebook, no Instagram ou coisa parecida. O pecado da vaidade e o orgulho da vida são excitados ao extremo por uma ferramenta que tem a aparência de coisa boa, neutra, isenta de mal. Mais uma vez vemos essa máquina infernal, qual epidemia universal, derrubar a todos, em todos os lugares, em todas as famílias, formando uma civilização contrária em tudo ao Cristianismo. A Civilização do Anti-Cristo, que está dominando a humanidade inteira através de uma ferramenta auto-eficiente, que uma vez usada, não precisa de outra orientação senão a do amor-próprio. É altamente enganador, é genial, é diabólico.

Acredite, leitor: é possível viver sem ele. Há outros meios de comunicação virtual que seguem ritmo menos febril e que diminuem muito o impacto da vaidade. É bom darmos tempo antes de recebermos uma resposta, antes de respondermos a uma mensagem, sobretudo quando se trata de alguma discórdia ou opinião contrária. Quanto mais o mundo se agita em coisas vãs, mais necessária se faz a sabedoria que nos faz refletir antes de falar, que nos leva a desprezar os bens desse mundo louco, e que nos conduzem a leituras bem mais interessantes e duráveis do que o rasteiro mundo do Facebook.
Como buscarei na Terra outro olhar senão o Vosso, Senhor? Como poderei eu, buscar um livro inteiro de rostos vazios, mãos geladas de cadáveres virtuais, se para tanto tiver de afastar de minh´alma a Vossa Santa Face! "Vultum tuum Domine, requiram – a Vossa Face, Senhor, buscarei". Porque é disso que se trata: quem multiplica rostos no Facebook, silencia seu coração do diálogo de amor que mantemos com Jesus Cristo: "Tibi dixit cor meum – O meu coração falou a Vós, os meus olhos vos procuraram, hei de buscar Vosso Rosto, Senhor; não aparteis de mim a Vossa Face!"(Sl.26,8)

Comece logo sua trezena de preparação para apagar o Facebook. Durante 13 dias o combate será rude, as tentações de toda sorte serão lançadas, como mísseis, contra a alma corajosa. O escudo da Fé, a couraça da fidelidade, abaterão os dardos inflamados do inimigo. No décimo-quarto dia, nascerá o sol num dia real, o Espelho Meu se quebrará, e você, caro leitor, poderá restaurar sua verdadeira personalidade.

Leia também: Jó, o Eclesiaste e o Orkut

Fonte: Site Permanência
http://permanencia.org.br/drupal/node/3726

Jó, o Eclesiastes e o Orkut



Dom Lourenço Fleichman OSB

Conta o Livro de Jó, em seu início, uma conversa entre Deus e Satanás. Quando Deus pergunta a Satanás o que anda fazendo, o Príncipe das Trevas responde: "Andei dando voltas pelo mundo e passeando por ele". Podemos perceber que não é de hoje que o Demônio anda por aí espalhando entre os Filhos dos Homens sua malícia disfarçada em coisas boas. Como anjo mau muito esperto, o Demônio hoje não passeia, ele navega pelas ondas da virtualidade (coisa fácil para um espírito). "Andei navegando pelo Orkut, e vi a juventude entediada, vazia e descarada!" E eu, no meu esconderijo protegido contra Orkuts fiquei imaginando se o Cão não estaria dizendo uma grande mentira, um exagero, com alguma intenção desconhecida.

Lá fui eu, então, na carona das ondas virtuais, procurar vestígios da mentira de Satanás. E o que eu encontrei foi um espetáculo terrível. Não é que o Bicho disse certo? E me lembrei do sábio Rei que escreveu: "Vaidade das vaidades, diz o Eclesiastes, vaidade das vaidades! Tudo é vaidade. Que proveito tira o homem de todo o trabalho com que se afadiga debaixo do sol?"

Encontrei todo tipo de gente e todo tipo de comunidade. A grande maioria faz do Orkut um ponto de encontro que é mais ou menos assim: pelas ondas virtuais eles chegam a uma praça. No lugar das árvores, foram ali plantadas algumas centenas de pedestais. E cada um que chega na praça, sobe num pedestal. É assim, nesta cômoda posição de glória, que se inicia a vida intensa dessa noite assanhada onde todo mundo é rei, rainha e deus. Do alto de suas coroas e com o cetro do seu poder, eles farão muitas coisas. Algumas vezes aquela exposição gloriosa na mídia virtual vai servir para um recado importante, para uma pergunta mais séria, e até isso servirá para levar essa gente a mergulhar fundo nas cavernas secretas e escuras de um mundo onde ninguém nos vê, ninguém exige um comportamento, onde se deixa a verdadeira personalidade e se assume um papel cômico, burlesco, diferente do real. Por cima das nuvens passei, observador alado, pensando e meditando na profunda transformação da alma humana operada por uma máquina de fabricar falsas personalidades.

O Orkut é uma fábrica de vaidades. Assim começa a ser fabricado o Virtual Frankstein, o monstro já sem controle de seus atos! O papel principal do pedestal da praça é dar a qualquer um a impressão de que se tem algo a dizer. Há muitas eras atrás, Gustavo Corção escreveu um artigo que dizia assim: "antes, os idiotas se calavam". O Orkut quebra de vez o silêncio dos imbecis. O Orkut lhes dá uma tribuna; e diria até, um Senado virtual. De fato, devemos entender que a tribuna em questão não é um banquinho colocado na esquina para atrair meia dúzia de desocupados e curiosos. A juventude atual contabiliza seus "amigos" na ordem da centena e do milhar. São oitocentos amigos de um, novecentos de outro, todo esse mundo lendo e babando diante dos deuses sentados em seus pedestais. Ora, é evidente que ninguém tem oitocentos amigos de verdade. Já ensinava o mesmo sábio rei que deixamos atrás ruminando a vaidade do mundo: "Nada se compara a um amigo fiel; quem o encontrou descobriu um tesouro" (Eclo, 6,14) Aquilo ali é um amontoado de interesseiros, de raposas que só estão na lista porque tem algum interesse nisso, nem que seja o de trocar elogios e depoimentos.

Estes depoimentos, também chamados pedantemente de "testimonial", é um dos aspectos mais repugnantes dessa praça de bajuladores. Pois é isso que se faz, ao trocar "testimoniais". Bajula-se seus "amigos", na espera da troca daquele favor. - "Dedinho, vc é tudo... amo mt...um cara super legal..." e por aí vai a onda de elogios que em alguns minutos será respondido quando Dedinho puser no Orkut da amiga um elogio tão apaixonado quanto o primeiro. Vocês pensam que é exagero? Se Dedinho não o fizer, virá uma reclamação virtual, um muxoxo virtual e uma carinha idiota fazendo conta de que a outra está muito, mas muito triste. É curioso como isso lembra certas vaidades artísticas de elogios passados em obras de arte, em artigos de jornal ou em entrevistas à televisão. Os artistas trocam elogios e farpas com a mesma naturalidade com que os políticos trocam benefícios. O Orkut é uma escola de corrupção. A juventude se acostuma a dar e aceitar elogios e testemunhos que são independentes do valor real de cada um, de seus atos e de suas virtudes. Quando, amanhã, estiverem num emprego, numa posição política, serão já treinados em corromper e em serem corrompidos, e o pior, não terão vergonha disso!

Voltemos à praça dos pedestais. Como em toda praça, ali também acontece a feira. Tem feira na praça! E o que vendem nossos Orkuts? Vendem suas almas. Camelôs e mercadores apostam no sucesso dessa empresa. E colocam nas vitrines e bancadas fotos e videos, centenas de fotos, exposição máxima de si mesmos, dos seus interesses, do seu corpo, do vazio de suas almas. E trocam comunidades. Vocês sabem que o Orkut abriga alguns milhões de comunidades, ou seja, pequenos sites que congregam supostamente interesses comuns. Nessa passagem da vida da praça, eles aceitam descer de seus pedestais para rastejar no chão, na poeira, na lama. E a ordem é essa: rastejem, ratos e víboras, porque vocês são todos iguais e o Orkut é a pura democracia! E vemos a fina flor da nossa juventude (e de alguns não tão jovens assim) rastejando, coaxando, grunhindo, inscrevendo-se em comunidades que conseguem reunir os seguintes dotes: um vazio total de qualquer interesse mais sério; uma liberdade total para gritar frases eróticas e palavrões idiotas; inutilidade completa. Mas o pior é o que acontece com essa pobre gente ao voltarem aos seus pedestais, já tendo vivido como animais no esgoto das ondas virtuais. Eles se acham tanto mais importantes quanto maior for o número de comunidades idiotas que frequentam. Vocês já imaginaram um anjo rolando no chão de tanto rir? Não falo dos anjos santos do Paraíso, porque eles não têm tempo nem interesse para isso. Mas o demônio rola no chão de tanto dar risadas vendo a ridícula cena das almas escravas do Orkut. (Anjo não rola porque é espírito, mas também ele sabe falsificar sua personalidade!)

Na minha viagem de reconhecimento, ouvi umas vozes ponderadas, timbres de gente sábia, que vinham lá do fundo desse abismo virtual. Diziam que usavam o Orkut para fins nobres. Que pelo Orkut trabalhavam para difundir a Tradição católica e que sem o Orkut não teriam esse sucesso. Andei assim olhando aqui e ali o que se escreve de religião. Confesso que não me agradou o que vi. Por mais que mude o assunto, a postura espiritual é a mesma. Fazem parte da mesma praça, estão sentados nos seus pedestais tendo certeza de que são pessoas muito interessantes, cheias de coisas para dizer. Tem assim, na praça do Orkut, um canto para os teólogos e moralistas das cavernas da vaidade. E no meio de suas declarações de boas intenções, ouvimos aqueles grunhidos já nossos conhecidos, da gente que se expõe na vitrine do Orkut. Uns mais eruditos, outros mais estudiosos, mas todos com suas opiniões próprias sobre tudo e sobre todos. Um circo virtual. Liguem uma televisão num canal cultural e assistam a um programa de debates. É isso que acontece nas comunidades católicas do Orkut. Quem ali tem autoridade? Onde está o Magistério da Igreja, para dizer aos seus filhos se podem ou não podem falar sobre a sua doutrina? Também nas comunidades da Tradição reina a liberdade total de dar opiniões como se aquilo fosse dogma e certeza moral. É o mundo do livre exame protestante levado a todos os assuntos e a todas as doutrinas. Uns têm cócegas nos ouvidos, como diz S. Paulo a Timóteo, inclinados a todas as fábulas; outros têm cócegas na lingua, e falam sem parar.

Da vaidade para a curiosidade; da Luxúria para a vã glória, tudo o que vi por aí foram práticas de vícios capitais fomentadores de pecados mortais. E não sei o que é pior: se as paixões da juventude mundana ou as opiniões dos estudiosos católicos. Porque aquelas se inserem bem no mundo da vaidade, mas estes não percebem que também vivem dela.

E sobre tudo isso profetizou São Paulo:

"Nota bem o seguinte: nos últimos dias haverá um período difícil. Os homens se tornarão egoístas, avarentos, fanfarrões, soberbos, rebeldes aos pais, ingratos, malvados, desalmados, desleais, caluniadores, devassos, cruéis, inimigos dos bons, traidores, insolentes, cegos de orgulho, amigos dos prazeres e não de Deus, ostentarão a aparência de piedade, mas desdenharão a realidade." (2 Timoteo, 3)



Dizem que a moda agora é sair do Orkut. Pode ser, pois o vazio dos jovens é tamanho que eles cansam de si mesmos também. Do nosso lado, quando lançamos há algum tempo atrás uma campanha contra o Orkut, recebemos mais de cem comunicações de Orkuts apagados. Nunca é tarde. E se você, caro leitor, quiser contabilizar o seu gesto corajoso de escapar dessa prisão, escreva para ....







Fonte: Site Permanência

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sábado, 8 de fevereiro de 2014

A heterofobia da mídia: Atriz global Claudia Jimenez deixa lesbianismo e sofre com a patrulha anti-moral



NOVAGUIA

Quando a cantora Daniela Mercury publicou em uma rede social foto com outra mulher dizendo que esta era sua marida, a repercussão na opinião pública foi imediata. A ex-estrela do Axé percorreu todos os programas, pôs tom político no discurso e se declarou lésbica, mesmo já tendo vários relacionamentos héteros e filhos. Junto com o par homossexual chegou a escrever um livro falando sobre o romance. Daniela Mercury foi ovacionada como heroína, aclamada pela militância LGBT como referência de luta pela bandeira.

Tratamento diferente – bem diferente, diga-se de passagem – foi dado à atriz Cláudia Jimenez quando terminou o relacionamento de 10 anos com a sua personal Trainner e sócia,Stella Torreão,em 2008. “Não tinha sensualidade, era muito mais gorda do que sou hoje. Não tinha forma nem vaidade. Achava que não tinha cacife para seduzir um homem. Como tinha de ser amada, me joguei nas mulheres”, declarou a atriz numa entrevista ao jornal Folha de São Paulo.

As declarações da atriz, que não associa homossexualidade a algo inato à pessoa e sim como comportamento que pode ser superado, deixou a militância LGBT do país em polvorosa. O site Parada Lésbica classificou a atitude de Claudia como um “desserviço homofóbico” e ainda chamou a atriz de “medíocre”.

Quando gay, Jimenes era maps festejada na imprensa 

Em outra oportunidade, Claudia revelou trauma sofrido na infância que a fez se afastar dos homens, um abuso que sofrera aos 7 anos. “Sofri abuso quando era menina e morava na Tijuca. Um senhor me bolinava. Ele comprava muitos chocolates e me convidava para entrar na casa dele. [Quando revelei essa história aos 18 anos] foi um choque para todo mundo. O fato de esse cara ter feito isso comigo atrasou muito o meu lado. Graças a Deus, ele já morreu” contou ao UOL.

Claudia com o namorado


Depois do convívio de 10 anos com Stela, Claudia passou a se relacionar com homens. Os veículos de comunicação que publicaram matéria sobre o assunto foram contidos, não fizeram alardes e não manchetearam a decisão da atriz de deixar o lesbianismo, justamente o contrário do que fizeram com a cantora Daniela Mercury.

Claudia deixou nas entrelinhas que sua opção pelo lesbianismo se deveu a diversos fatores externos como trauma de infância, rejeição e carência afetiva. Hanna Korich, uma das sócias fundadoras da Editora Malagueta, editora dedicada à literatura lésbica, também alfinetou Claudia rotulando as declarações da comediante de “homofobia internalizada”.

Patrulha LGBT


A militância LGBT na busca pela liberdade acaba oprimindo muitas das pessoas com comportamento homossexual. A tolerância se torna intolerância. A cantora Adriana Calcanhoto desabafou à revista Época sobre a ação da patrulha LGBT, logo quando Daniela Mercury se assumiu lésbica: “Se Daniela ficou feliz de falar e, se falando, ajudou a causa, eu acho válido. Só não gosto da patrulha para que você precise sair do armário, isso segmenta. Eu não gosto de expor minha vida privada por temperamento”.

Quando Daniela Mercury saiu do armário foi uma comoção, já a correção de Jimenez foi recebida com frieza


Walcyr Carrasco também criticou a atuação dos militantes dos movimentos pró-homossexualismo. “Recentemente, declarei que sou bissexual. Fui apedrejado por homossexuais, segundo os quais deveria ter me declarado gay. Respondi: tive relacionamentos com várias mulheres na minha vida, a quem amei. Seria um desrespeito a elas dizer que tudo foi uma mentira”, escreveu em artigo que assina para a Revista Época.



Fonte: Genizah

Leia Mais em: http://www.genizahvirtual.com/2014/02/a-heterofobia-da-midia-atriz-global.html#ixzz2skfXWUJo
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